Quantos de vocês trabalham com pesquisa? Quantos têm algum artigo publicado? E patentear algo que você produziu, já pensou nisso? Acredito que poucos se encaixam de forma positiva em pelo menos uma destas perguntas. Patentear, por exemplo, é muito difícil passar pela nossa cabeça. Já o fato de trabalhar com pesquisa e publicar os resultados da mesma é algo bem mais próximo da nossa realidade. A produção científica no nosso país não é muito valorizada. A maior produção científica acontece dentro da universidade, mas muitas vezes os estudantes não sabem o que está se produzindo ali cientificamente, por falta de divulgação e até mesmo falta de interesse por parte de alguns estudantes.
O incentivo à pesquisa científica no exterior é muito grande. Os japoneses, por exemplo, patenteiam tudo que eles criam de novo. Até coisas naturais de outros países eles levam para seu país e querem patentear, como se fosse algo criado ou inventado por eles. Temos que dar mais valor as coisas do nosso país, as coisas que nós produzimos, para que os estrangeiros não possam tomar para si algo que nos pertence.
Numa pesquisa realizada recentemente pela Ompi, Organização Mundial da Propriedade Intelectual, os dados, coletados em 2005, mostram que o número de patentes em todo o mundo aumenta em média 3,6% ao ano desde 1995. Enquanto ocorre este aumento no número de patentes nos demais países, no nosso país esse índice diminui. Esse relatório aponta que o Brasil é o último colocado, em relação as patentes obtidas em outros países. As patentes depositadas por países como o nosso tem grande crescimento fora do território brasileiro, este é um dado que consta neste mesmo relatório.
Um dos grandes problemas no nosso país na hora de patentear algum produto é o grande processo de burocratização que tem que passar. É um processo bastante longo e cansativo, que acaba desestimulando os criadores, pois quando chegar ao final do processo é bem capaz de que algum estrangeiro já tenha patenteado alguma inovação bastante parecida com a nossa e, então, todo aquele processo desgastante não serviu de nada.
Algumas mudanças na legislação brasileira têm que ser realizada. A concessão de uma patente tem que tornar-se um processo mais prático, menos burocrático. O Brasil tem que mostrar ao mundo as suas potencialidades e o primeiro passo para isso tem que ser dado por nós estudantes. Temos que começar a nos interessar mais por projetos de pesquisa e irmos atrás dos mesmos junto aos nossos professores.
O índice de desenvolvimento de países como Japão, Estados Unidos, dentre outros tem como um dos fatores o grande número de patentes que são conseguidas por ano. O Brasil tem que mudar esses dados que indicam uma pequena taxa de desenvolvimento por ano. Está na hora de mudarmos essa história. É muito importante para nós cidadãos brasileiros e para o desenvolvimento do nosso país.
Autora: Mariana Meirelles de Mello Lula.
Colaboração: Bruno Barufaldi