Imagine que, num certo dia, você sai de casa para o trabalho no seu carro e durante o trajeto, em vez de ir pelo caminho de sempre você resolve pegar um atalho e, por isso, sofre um acidente horrível e acaba passando desta para melhor. Mas o que aconteceria se você não tivesse pegado esse atalho? E se você nem tivesse saído de casa? Nem saído da cama? Essas diferentes possibilidades de decisões acabam resultando, de acordo com a física quântica, no surgimento de outro universo, paralelo ao nosso e, ao mesmo tempo, igual e diferente.

Para entender essa idéia (até um pouco fantasiosa, eu concordo) você precisa conhecer um pouco da física quântica. O primeiro ponto é entender como a matéria em nível subatômico se comporta, ou seja, de acordo com o Princípio da Incerteza de Heisenberg, uma partícula consegue tomar diferentes formas arbitrariamente e apenas por sua observação seu comportamento é afetado, por isso não se pode ter certeza da sua localização ou natureza. Após isso, Heisenberg e Niels Bohr apresentaram a Interpretação de Copenhague, no qual eles afirmaram que todas as partículas quânticas não estão em apenas um estado, mas sim em todos os estados possíveis de uma só vez, e a condição de um objeto existir em todos os estados possíveis, ao mesmo tempo, é chamado de superposição. Certo, isso não foi muito intuitivo, mas veja um exemplo: os fótons, minúsculos pacotes de luz, podem se comportar na forma de partículas ou de ondas, e pela Interpretação, as duas ao mesmo tempo, mas aí você me pergunta: “Mas quando os cientistas observam, essas partículas assumem uma única forma, como isso é possível?”. Quando você observa uma partícula, o comportamento dela é afetado, a observação quebra a superposição do objeto e o força a escolher um estado. Essa teoria explica por que os físicos obtiveram medidas opostas em relação ao mesmo objeto quântico: o objeto “escolheu” estados diferentes durante diferentes medidas. Esquisito, não?

Tendo como base essas teorias, um físico americano, Hugh Everett, formulou a Teoria dos Muitos Mundos, que concorda em vários pontos das teorias anteriores, mas diverge em um ponto crucial: para Everett, quando se observa ou mede uma partícula, ocorre uma quebra no universo, ou seja, o universo é divido em n possíveis universos diferentes, onde n são as diferentes formas em que a partícula pode se comportar. Complexo? Então veja um exemplo: você está examinando um fóton e descobre que é uma partícula. Nesse exato instante o universo se quebra em dois universos distintos para acomodar cada um dos possíveis desfechos (partícula e onda), mas não tão distintos, pois a única mudança seria o comportamento dessa partícula. Então, você, em um universo, descobre que o objeto foi medido na forma de partícula, e você, no outro universo, mede o fóton como uma onda. Esta teoria também explica como uma partícula pode ser medida em mais de um estado.

A Interpretação dos Muitos Mundos de Everett tem implicações além do nível quântico. Se uma ação tem mais de um resultado possível, então (se a teoria de Everett estiver certa) o universo se quebra quando aquela ação é tomada, o que continua sendo verdade, mesmo quando a pessoa decide não tomar uma atitude. Ou seja, se você já esteve em alguma situação que pudesse morrer, em um outro universo, paralelo ao nosso, você está morto. E é por esse motivo que algumas pessoas acham essa teoria bastante perturbadora.

Agora (esta é a melhor parte), você pode imaginar: o que aconteceu com você se, em uma decisão importante da sua vida, você tivesse escolhido uma das outras opções que tinha? Será que você está mais feliz? Mais infeliz? Será que você morreu por isso? E se pensarmos a nível mundial? O que aconteceu se os nazistas tivessem ganhado a II Guerra? E se Cristóvão Colombo não tivesse descoberto a América? E se o Big Bang não tivesse ocorrido? (Ou para os mais religiosos: e se Deus estivesse com preguiça e não criasse o universo?). Resumindo, em algum outro universo, tudo pode ser um grande e simples vazio.

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