Desconfiar das unanimidades não é apenas um exercício de ponderação intelectual: é, nos dias de hoje, quase que uma necessidade, dadas as proporções com que crescem as desproporções entre o valor crítico e o valor econômico ou financeiro. Acerca de leitura, o que de mais comum nos deparamos hoje, é a enorme quantidade de pessoas lendo os mesmos, e por que não, intrigantes best-sellers.

Agora, por exemplo, a maioria não saberia definir o prazer que uma simples leitura poderia proporcionar, afinal, estamos deveras ocupados com a vida atribulada, os negócios e a ralação diária para garantir as contas pagas. Mas, para o bem ou para o mal, foi-se o tempo em que ler era coisa de gente rica. Quem não tem tempo para ler tem que ser seletivo, e ser seletivo é uma especialidade do cidadão da “Classe Média”. Então, para que todo mundo na Book Store saiba que você é Classe Média, vá direto aos Best-Sellers. Infelizmente é isso que acontece. As prateleiras destinadas a livros que não são Best-Sellers aparecem vazias meio a turbulência de livros que “todo mundo lê”.

Não é difícil perceber a tão presente mediocridade nas listas de best-sellers, que “quase sempre” podem ser comparados a puro lixo: auto-ajuda, livros infanto-juvenis e outros mais; a maioria repleta de clichês e pobre em qualidade. Dentre os preferidos de muita gente, eles povoam as listas dos mais vendidos e dominam as livrarias, enchendo as prateleiras de mau gosto.

Identificando, e quem sabe, escrevendo um best-seller: A maioria dos livros de sucesso é um samba completo. Misturam conceitos, religiões, filosofias e mitologias. Desse modo, ao mesmo tempo em que revisita conceitos conhecidos, o leitor tem a impressão de que está aprendendo coisas novas. O leitor de best seller quer conteúdo interessante, e não forma rebuscada de escrita. Procura estilos literários já consagrados, escritos com palavras simples e em um texto bem direto, que flui sem que o leitor precise parar pra pensar.O público quer ter a sensação de que aprendeu algo de importante e que se tornou uma pessoa melhor. Para cumprir essa tarefa, o texto precisa de doutrinas, sejam elas políticas, religiosas, ou místicas.

E por último, e não menos importante, sabe-se que desde a Grécia Antiga, os leitores precisam de um mocinho por quem torcer. Além de algum dom especial (super poderes, força ou inteligência), o herói precisa ser corajoso e incorruptível. É necessário que ele enfrente dificuldades terríveis antes de sair vitorioso.

A maioria das pessoas lê best-sellers não inicialmente por gosto, mas sim por modismo. O fato de gostar da obra pode vir depois. E o pior e mais indignante: grande parte delas não se interessa em explorar novas leituras, atendo-se apenas ao que está in, ou seja, “na moda”, em alta. Embora seja minoria, existem aqueles que vêem no best-seller uma porta aberta para o mundo da literatura, se apaixonando pelo hábito e posteriormente ampliando seus horizontes literários. Aí vemos o papel bom do livro de leitura leve e simples, fácil de entender, ideal para aqueles que ainda acham a leitura coisa de outro mundo. Para quem já perdeu as esperanças de um bom best-seller, informo: nem tudo está perdido. Sim, existe algo de qualidade em meio a tanto conteúdo duvidoso. Literatura de qualidade e bem escrita entre os best-sellers existe e têm o sucesso merecido.

Continuo achando que a literatura deve ter como referência a reflexão crítica. Que não interessa às massas e impressiona os mais sábios. Pode vender milhões, pode encher o bolso dessa gente de dinheiro, mas não será literatura, porque literatura, definitivamente, não é o que vende. Best-Sellers, ao contrário vendem, e muito.

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